Box e-Music: Entrevista com Roland Leesker

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Entrevistar pessoas talvez seja uma das coisas mais prazerosas. Tivemos o prazer de conversar com Roland Leesker, um DJ e produtor que nos surpreendeu. Com mais de 20 anos dedicados a música eletrônica, por onde passa, deixa seus rastros e sua bandeira em prol do respeito e da propagação da e-music.

Roland Leesker foi uma das grandes atrações do ano na Beehive Club, um dos clubs mais conceituados do Brasil. Com um set envolvente e uma presença de palco inigualável, Roland deu um show e caiu nas graças do público presente. Podemos dizer que ele é completo, preenche todos os pré-requisitos que um artista precisa para ser bem sucedido, seja profissionalmente, financeiramente ou até mesmo emocionalmente. Após sua apresentação, ainda eufórico, conversamos e podemos dizer que foi um dos DJs com mais bagagem e talento que já conversamos. Confira:

São duas décadas de dedicação a música eletrônica. De onde vem esse amor?
Esta é uma ótima pergunta, já me perguntaram sobre isso antes e eu tenho pensado muito sobre e a verdade é que não sei. Eu lembro de coisas da minha infância e a primeira memória emocional foi um momento na Alemanha, já era quase verão, tinha uns 16 anos e estava chovendo lá fora, então minha mãe me chamou para ver. A chuva era quente, mas na Alemanha a chuva é geralmente muito fria diferente do Brasil,  particularmente neste dia estava ela estava quente, quando minha mãe me chamou fiquei surpreso, então começamos a dançar na chuva, eu adorei aquele dia. Quando fiquei mais velho, meus pais acharam importante eu aprender a tocar alguns instrumentos, aprendi a tocar violão, mas eu gostava mesmo de bateria, mas como era muito caro, eu criei minha própria bateria, depois comecei a ensinar e não parei mais, não consegui mais parar. Eu me sinto completo com a música.

Sair de Frankfurt e adentrar a capital do mundo. New York foi o início de um reconhecimento maior?
De um jeito diferente sim. Foi como um intercâmbio, não foi algo sobre a minha música e sim sobre mostrar mais da música eletrônica para as pessoas e o DJs de lá. Foi algo muito especial, é isso o que mais amo sobre essa música, estamos junto de pessoas que não conhecemos, mas sentimos que sim. Essa foi a experiência que tive em New York.

Qual sua ligação com o ícone Ricardo  Villalobos?
O Rick! Nós crescemos juntos em Frankfurt, eu fui convidado a tocar no club dele quando tinha uns 18 ou 19 anos. Ele organizava festas e eu vendia discos em uma loja, ele precisava de emprego então convidei  ele para trabalhar comigo na loja. Era muito divertido. Além de crescermos juntos, também começamos a fazer música juntos, é uma relação muito legal, somos velhos amigos.

Como funciona seu processo criativo?
O meu processo criativo é muito fácil.  Eu acordo, vou ao estúdio, tenho um parceiro lá e eu digo para ele a música que estou pensando e começamos a criar, se não der certo em 10 minutos, nós paramos. Sou muito seletivo, se não está perfeito eu apenas não faço. Coleciono discos desde os meus 15 anos, tenho mais de 20.000 e a primeira música que eu penso quando acordo é a que começo a tocar. Não acontece todos os dias, em alguns eu não tenho ideias, outros tenho dez, vinte, trinta. Então não é sobre só ter ideias, sim poder realizá-las.

Algum cantor ou DJ brasileiro te inspira?
Eu não conheço muitos DJs, mas um cantor poderia ser aquele da “Garota de Ipanema” (refere-se a Tom Jobim) e o Gilberto Gil. Tocar no Brasil é incrível, é especial e as pessoas dançando me inspira muito.


Tradução: Juliane Mattos

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Sobre o Autor

CEO do Explosive Box e Publicitário, louco por qualquer tipo de arte que me encante. Também sou editor-chefe das colunas de Moda e Música.

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