Box e-Music – Entrevista com Fabrício Peçanha

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Conversar com uma pessoa que entende do respectivo assunto é muito bom. Mais que entender, é ter embasamento e bons argumentos para comprovar o tamanho sucesso que a mesma faz. É totalmente indispensável a apresentação de Fabrício Peçanha, um dos maiores DJs do Brasil.

Depois de 2 anos (confira a entrevista que fizemos com ele clicando aqui), voltamos a conversar sobre o que gostamos: música eletrônica. E o que tivemos é uma entrevista com um embasamento e um amadurecimento muito forte. Apesar dos seus anos de caminhada e experiência, assim como nós, ele acredita fielmente na evolução constante. Afinal, ou você evolui, ou você estagna.

Fabrício Peçanha retorna a Beehive Club (06), depois de uma apresentação épica com o seu projeto Fabrício Peçanha Live e surpreende o público da casa com um 2h19min de música pura e dançante, o que é de praxe dele. Sem parar e esfriar a pista, conseguiu segurar centenas de pessoas na mesma sintonia do começo ao fim. Talvez esse seja um dos pontos que mais chama atenção dele, cativar e manter o público, o que é algo extremamente importante para consolidar um DJ.

Uma noite que rendeu uma conversa incrível, onde pudemos saber um pouco mais sobre ele e sobre tudo o que ele fez/faz pela música eletrônica. Confira:

O que mudou desde a nossa última conversa, onde o projeto Fabrício Peçanha Live foi lançado?
Evoluiu muita coisa, cada ano que passa a gente vai aprendendo muito com os erros e acertos, e eu estou evoluindo principalmente na área de produção.

Recentemente você lançou um preview de “Can You Feel That?“, que fará parte do seu novo EP. O que você tá preparando?
Neste disco estou com bastante expectativa, pois será lançado por uma gravadora bem bacana, a No Definition. Esse EP está bem interessante, pois eu acho que evolui como produtor e a musicalidade dele é bem atual, bem pista. Está sendo elogiado por DJs nacionais e internacionais. Estou tocando as músicas direto e espero que seja um dos que tenha maior repercussão.

Quais foram suas principais referências?
Minhas referências são sempre as que eu escutei e vivo durante a vida. Esse EP é meio anos 80, desde o eletro até alguns timbres.

Qual a importância que você vê das mídias digitais em seus lançamentos e no seu trabalho em geral?
Hoje em dia as mídias digitais são armas que a gente tem a nosso favor e utilizamos como um meio de comunicação direta com o público. É muito interessante ter o feedback do que as pessoas estão achando. Também, toda a vez que tem o lançamento de um EP, preparamos uma campanha, lançamos em vários lugares, portais etc.

A Beehive Club está completando 10 anos. Você fez parte da 3ª festa da colmeia. Qual a principal mudança, além do local, que você vê no Club?
É muito bacana tocar na Beehive pois é um club que eu acompanhei o crescimento, desde quando era um club pequenininho. Me sinto parte deste sucesso também pois sempre defendi muito a Beehive e divulguei que aqui (Passo Fundo) tinha um club muito interessante. Além do amor que tenho pelo Rio Grande do Sul, a Beehive tem uma importância muito grande na minha carreira. Para mim é muito legal ver passar as gerações e eu continuar tocando no club, conhecendo gente nova, DJs novos. Gosto muito de tocar na Beehive, do público de Passo Fundo e região… acho que é um público que tem um bom gosto e uma personalidade incrível. Vejo as modas passando no Brasil e aqui no Rio Grande do Sul tem uma pegada mais européia, a galera está muitas vezes mais ligada do que as capitais.

Como você enxerga a cena no Sul do país?
O Sul tem uma diferença um pouco cultural. A galera não entra muito na moda do que está acontecendo e tem uma personalidade muito forte, como falei acima. Está ligada em música boa, no estilo conceitual e é até engraçado que as pessoas não entendem muito o motivo pelo qual o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná tem esse diferencial: a cultura da música eletrônica. Eu vejo que o Sul está mais a frente na música eletrônica do que outros estados. Primeiro as coisas acontecem aqui, depois acontecem em outros lugares. Conseguimos comprovar isso pela quantidade de Clubs que temos aqui e também alguns considerados os melhores do mundo, El Fortin, Warung, Green Valley e por aí vai.

Existe preconceito na música eletrônica?
Acho normal. Antigamente a música eletrônica tinha um público tão restrito que não tinha festas específicas para um estilo. Quem estava ali para curtir techno era “obrigado” a curtir psy. Hoje existem só festas de techno, festas de deep house e é normal que um não goste do estilo do outro. Existem pessoas que escolheram tocar um som mais comercial, outras EDM… e tem outras pessoas que gostam de outros estilo. Quanto mais underground é o som que você escolhe, menor é a fatia que atinge. Então é importante ter um equilíbrio de personalidade, mas também não ficar criticando e tentar ser muito radical.

Qual sua rotina como DJ e como funciona o seu processo criativo?
Eu tenho toda a semana para me dedicar. Mas eu, particularmente, gosto de produzir de noite. Há um horário que eu produzo de dia, mas quando tem algo que eu preciso produzir, como um EP, eu me tranco por 2 semanas dentro do estúdio.

Um DJ que te inspira? Carl Cox
Uma palavra que defina tua trajetória? Persistência
Lugar que mais gostou de tocar? Buenos Aires
Um club? Avalon Hollywood
Um sonho que ainda não realizou? Tocar no Japão
O que a música eletrônica representa para você em uma palavra? Tudo
Uma pessoa? Pode ser duas? Meus filhos.
Uma música? Lonely Mistake
Um ídolo? Minha avó.
Uma mania? Comer doce.
Qual o lema da sua vida? Fiz muitos anos de judô e uma coisa que eu aprendi é: caiu, levanta. Se você cair 10 vezes, tem que levantar 11.
Um momento do dia? Meu estúdio de noite.
Um dom que gostaria de possuir? Um ouvido absoluto.

Após o fim da entrevista continuamos conversando e Fabrício compartilhou conosco um pouco da sua trajetória pelo backstage da cena. O mesmo dava palestras, produzia eventos e festas para milhares de pessoas e seu lucro dava praticamente para o jantar. Ele relatou isso como seu início na cena da música eletrônica, onde ele se dedicou fielmente e sem visar custos coma música. Também comentou conosco que não gosta de cerveja, ou seja, nem ofereça. Hahaha!

Live gravada em Beehive Club  | Foto destaque: Juliano Conci

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Sobre o Autor

CEO do Explosive Box e Publicitário, louco por qualquer tipo de arte que me encante. Também sou editor-chefe das colunas de Moda e Música.

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