Uma Pergunta por Dia: o livro-diário que bate à porta das nossas andanças

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Q&A a Day ou Uma Pergunta por Dia. Tanto faz. Original ou traduzido, enrolando a língua ou a concordância, a essência é a mesma: 365 perguntas, 05 anos, 1.825 respostas. Sim. 1.825 versões de você. De se ser. 1.825 reminiscências das tantas viranças da existência. Porque a gente se vira. Vira a mesa, vira a cara, vira a saia. A casaca, o avesso. Vira gente, vira bicho. Se vira.

Se faz.

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E ainda se acha por aí, nos cantos mais herdados e obsoletos da nossa antiga e repressora cultura, que um ser-humano que se preze é aquele imutável em seu nascimento. Predestinado. Registrado, ensaiado. Vivido. Enquadrado nos anos da parede das promoções. Tem nada disso aqui. Tem o renascer. Tem o direito a (des)gostar. A (des)fazer. Tem a dialética das relações, dos encontros, do esticar, do diminuir, do revolucionar. Tem os tropeços (porque a gente tropeça e beija, tropeça e se apaixona, tropeça e cai. Tropeça e morre. Tropeçar é perigoso). E a destruição é magia, é uma fênix. Muda-se, sim. De página, de cabelo… de eterno amor. De avesso. De endereço. Maldito todo esse vai-e-vem. Que esquisito desacostumar. E admitir que se desacostuma. Que deixou pra trás, que jogou pra frente… Que andou demais, que sonhou de menos. Que doeu, que passou, que viveu, que curou. Que jura que aprendeu! Resiliência! Bendito todo esse vai-e-vem…

Aqui, tem a cápsula do nosso tempo. Desse rapaz que não se tem mais, que se perdeu e se procura com a maior das recompensas: um pouco mais de paciência.

Potter Style deve ter pensado em tudo isso (gosto de acreditar que sim. Gosto de pensar que ela acreditou em tudo isso) e presenteou esta nossa sociedade do espetáculo – apressada, enganada e arrogante -, com cinco anos de silêncio. De freio, de ré. De tempo à euforia. Funciona assim: uma pergunta por dia, cinco espaços – cinco anos – e a chance de se ter a coragem de encarar a si a cada resposta. A cada ano, a mesma pergunta. Por todo esse tempo. É um diário, uma prova, um registro. A resposta que já foi x, amanhã, é y. O lado a que reinava, amanhã, pede alforria. E o b arranha. A sinfonia perfeita. E se começa a entender como diabos foi que se chegou onde se encontra. E a gente, que vai se deixando pra debaixo do tapete, vê-se obrigada a cuspir a poeira, trocando informação por conhecimento, batendo à porta da nossa alma, fazendo as pazes com a nossa loucura. Dá licença, tô entrando. Prazer em te conhecer… Esses são os meus monstros? Ah, oi! Prazer. Sim, aceito.

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Com gelo por favor.

Sim, meus caros. A escrita é um grande e poderoso vômito. E se vomita nada mais do que o que se engole. Hoje, tem-se tanto medo do atravessável que mal a gente se atravessa.

Aproveitem. Vomitem!

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Sobre o Autor

Filha dos anos 90, estudante e amante de Psicologia, sangue e calor paraibanos. Socorro-me da alma pra (sobre)viver. Por isso escrevo. Por isso meus tantos eus e cás comigo...

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