A busca – incansável – pelo corpo perfeito!

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Perambulando pelo facebook me deparo com alguém – com um corpo maravilhoso –  dizendo que a meta do ano era ter uma cintura de dar inveja, paro por um instante e penso: “Será que ela sabe que essa meta já foi cumprida?”. Sei que atualmente, pouquíssimas pessoas se sentem bem no corpo que têm, especialmente nós – mulheres. Por que será? Por que será que buscamos, com uma ambição tão excessiva, um corpo que não nos pertence? Não estou falando para todos nós largarmos mão do nosso bem estar, nem da nossa saúde. Mas porque será que todo mundo quer sempre perder uns quilinhos e ter o corpo igual o de alguém? Eu já vivi isso.

 Lá pelos meus 16 anos pensei que deveria emagrecer, pensei que talvez eu fosse um pouco acima do peso e que talvez eu não fosse atraente por causa disso, deixei de comer tudo o que me dava prazer, vomitei uma vez e não falei com ninguém. Vomitei de novo. E de novo. Depois já era quase que automático, não conseguia evitar. Foi um tempo sombrio, meus pais se desesperaram, fui pra analista, fui falar com o médico, meu estômago só aceitava líquidos. Depois que melhorei minha família nunca mais falou nisso. É como se nunca tivesse acontecido. Mas aconteceu. Hoje olho para trás e vejo o quão boba eu fui. Foi preciso muitas sessões de análise para que eu pudesse aceitar que nunca terei uma perna fina, e talvez minha barriga não seja lisinha, mas o que importa é eu estar bem comigo mesma, e com saúde. Isso meus caros, é primordial.

Tenho 1,52m, peso 50kg e hoje em dia aprendi a lidar com as partes do meu corpo que eu não gostava. Não irei dizer que estou completamente satisfeita, não vou mentir pra vocês, mas aprendi a lidar com essa parte de mim que costumava não gostar de mim.
Para minha tristeza, ainda vejo muita gente passando pelo que eu passei. E talvez isso aconteça porque a anorexia e a bulimia ainda são tabu. Pouco se fala sobre elas. Li algumas matérias falando sobre elas, quando alguém acaba falecendo todo mundo resolve trazer essas doenças para a superfície, mas logo elas já afundam no esquecimento. Não se pode esquecer. Não quando existe tanta pressão para alcançar um corpo perfeito.

O meu corpo perfeito é totalmente diferente do corpo perfeito da minha mãe, e o corpo perfeito da minha mãe pode ser totalmente diferente da ideia de corpo perfeito da minha vizinha. O corpo perfeito de cada um de vocês é diferente. Não adianta você botar na cabeça que quer ser igual a modelo da passarela se você – assim como eu – tem menos de 1,60. O seu corpo perfeito nunca chegará ao corpo perfeito dela. E tudo bem! Não é, e nem deve ser igual. Todos nós temos que começar a colocar metas alcançáveis, e a procurar amar o nosso corpo. O seu corpo é perfeito. Ele vem te sustentando todos esses anos.

Que nesse novo ano todo mundo consiga ser feliz. Seja com uns quilinhos a mais, com uns quilinhos a menos, e com quilinhos que são o suficiente. Que nossa meta para 2016 seja rir até doer a barriga, aproveitar todos os momentos, comer o que nos der vontade e acima de tudo, que a gente consiga encontrar – dentro de cada um – o amor próprio!

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Sobre o Autor

Frequentadora assídua do cinema, viciada em séries e uma eterna apaixonada por livros!

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