365 nus: o projeto que retrata a dor e a delícia de ser o que se é

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Nudes.

Um assunto moderno este ano, politicamente (in)correto, sobretudo a partir da explosão do Snapchat, a rede social que, até então, constituía a venda da idéia de liberdade virtual – sem prints por favor -. Desmascarado, assim, como o mundo já fez questão de provar, cá estamos, hoje, ansiando por substituir as violações e deselegâncias polêmicas desse aplicativo por nudes que andam sendo deliberadamente compartilhados por aí aos quatro ventos… ainda bem!

Fernando Schlaepfer, fotógrafo e um dos idealizadores da máquina de talentos I Hate Flash (pela qual somos  assumidamente apaixonados – declarando nossa fiel admiração aqui -) divulgou no início deste ano um projeto, a princípio, despretensioso e espontâneo, que, felizmente, acabou transformando-se em poesia, rendendo sensibilidade, olhares e o bom e velho nu – aquele que desnuda a alma junto -. Vulgaridade? Bom, se é que a arte cor-da-pele ainda enfrenta essa conotação, a gente fica com a essência da naturalidade. Sem malícia, sem medo, sem negação. A gente prefere essa roupa que nunca sai de moda, que iguala e diferencia a beleza da nossa mais íntima casa.

O projeto 365 nus pretende, como traz o próprio nome, encerrar-se juntamente ao ano de 2015, eternizando seus últimos suspiros na data de 31 de Dezembro com o então total de 365 pessoas peladonas, assumidas e corajosas em diferentes cenários e contextos pelo mundo afora, cada um à justiça de sua história. Fernando consegue resgatar a singeleza e a completude de um corpo descoberto, delineado por olhares, movimentos e sentidos. Marcas, dobras e tempo. Distante de toda e qualquer idéia forçada de sensualidade. Próxima a toda e qualquer idéia de obra e de vida.

Posar pelado pra você é…
Libertador.

Fotografar pelados pra você é…
Libertador. Emoticon smile

Defina a expressão corporal em uma palavra
Verdadeira

Defina estereótipo em uma palavra
Preguiça

365nus foi um insight ou foi planejado?
Planejado de um dia pra outro configura em insight? Foi uma solução pra uma vontade que vinha há anos mas que falei “foda-se, preciso inventar algo pra isso até amanhã”, e aí veio.

Qual a verdadeira mensagem que você quer passar com este projeto?
A verdade é que eu não pensei nele como uma mensagem a ser passada, num primeiro momento. Acredito que ele fala sobre muitas coisas: liberdade, empoderamento, sexualidade… mas partem só de uma vontade pessoal de registrar as pessoas da maneira mais livre possível. E que bom isso levanta tantos questionamentos, mas em um mundo ideal, sequer deveriam ser levantados.

Os modelos escolhidos são bastante corajosos, afinal, qualquer coisa vira chacota hoje. Quais as características das pessoas que aceitaram?
Não acho que todos que decidem participar precisem necessariamente de coragem. São pessoas muito diferentes, e com histórias, questões e motivos diferentes. Alguns enfrentam algo, sim, e sem dúvidas precisaram ser muito corajosos para romper barreiras, as vezes pessoais, muitas vezes sociais. Mas outros apenas vêem aquilo como algo natural, não partem de um confrontamento, mas de uma reafirmação de algo. E ambos casos são extremamente válidos.

O que é se vulgaridade pra você?
É algo demonizado, na enorme maioria das vezes por preconceitos. Na origem da palavra quer dizer ordinário, comum. Talvez o devesse ser.


“Não me venha falar na malícia
De toda mulher
Cada um sabe a dor e a delícia
De ser o que é
Não me olhe
Como se a polícia andasse atrás de mim
Cale a boca e não cale na boca…”

Chico Buarque

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Sobre o Autor

CEO do Explosive Box e Publicitário, louco por qualquer tipo de arte que me encante. Também sou editor-chefe das colunas de Moda e Música.

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