SPFW Inverno 2016 – Day 1 and 2

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Chegou aquela semana do ano que a vida fica uma correria, mas tudo vale a pena porque estamos fazendo o que amamos. Nesta 40ª edição Inverno 2016 o SPFW esta comemorando 20 anos de existência. Esta temporada celebrará os processos e as singularidades do fazer destacando a capacidade humana de criar com as mãos e inspirar novas possibilidades, do artesanal ao tecnológico, do princípio ao início, em constante evolução, sempre em busca de novos pontos de partida.

Desta vez o local oficial volta a ser a Bienal no Parque Ibirapuera mas o numero de desfiles esta reduzido, de 39 que aconteceram na temporada de verão apenas 29 acontecerão nesta temporada de inverno. Isso porque marcas de beachwear só desfilam uma vez ao ano. Mas também outras marcas tradicionais não iriam desfilar como forma de protesto devido o atual estado da economia nacional, que é o caso da nossa amada Cavalera.

ALEXANDRE

O start foi dado por Alexandre Herchcovitch no domingo, que teve como locação a sede da Prefeitura de São Paulo, e ainda sugeriu que seus convidados fossem para o desfile de transporte publico. Partindo do tema, ‘Uma história de boudoir sobre amor e perda, perversão, sexo e poder.’, o estilista criou uma série de vestidos e camisolas de tricoline de cashmere. Trabalhos feitos a partir das fitas de gorgurão permeia a coleção e faz a transição entre a inocência e a intimidade. Muitos elementos que definem a estética de Alexandre Herchcovitch estão lá: as técnicas de costura, as silhuetas, os laços, que aparecem desfeitos, o shape quadrado de algumas peças, o zíper com ilhós e amarração, usado desde o início de sua carreira.  Há também a questão da dualidade, o agressivo e o leve, o sexo e o austero, o perigo e a inocência.

animale

 A segunda-feira para os fashionistas só começou as 17hs com o desfile da Animale. Vitorino Campos e Beth Nabuco apresentaram uma coleção impecável no Pavilão Niemeyer, o tema foi uma coleção de híbridos com referencias da arquitetura com a natureza. Os looks aprsentados eram capazes de contemplar diferentes tipos de mulher, com comprimentos e propostas de modelagem variadas, da alfaiataria em casacos e peças mais estruturadas à leveza da seda em peças mais soltas e a pegada sexy da renda francesa recortada artesanalmente, com transparência em tops e minissaias.

uma

 A Uma está cada vez mais se tornando um oásis para os adeptos da moda minimalista. Poucas cores, roupas lisas, mas com cortes, construções e texturas que a tiram do lugar comum. Nesta temporada Raquel está inspirada por pelo comportamento  dinâmico das ruas e a mobilidade ela criou uma coleção versátil, descomplicada, confortável e com uma ênfase forte nas sobreposições, na mistura dos materiais e os efeitos que algumas técnicas podem causar na roupa. A coleção faz uma transição fácil da passarela para as ruas. Algo que esta cada vez mais presenta nas semanas de moda. Vale destacar a transformações dos materiais, onde um moletom passa por um processo de corrosão e ganha um ar mais desgastado e manchado. Raquel acredita que o  imperfeito da Uma parece perfeito pra gente andar por aí em qualquer inverno, em qualquer megalópole.

LILLY

A inspiração de Lilly Sarti para o desfile se deu através da ligação que a estilista tem com o misticismo. Mantendo seu toque setentista habitual a marca incorporou o esoterismo com acabamentos luxuosos, como o tule devorê com símbolos que remetiam da Astrologia ao Egito Antigo, pashminas, pelo de ovelha, couro, tricôs e lamê, numa coleção que também flertou com outras décadas (destaque as duas calças clochard super anos 80), ofereceu boas opções de calças de alfaiataria masculina e silhuetas mais amplas. Simbolos como olhos de Horus , yin e yang, cruz de Ansata foram recortados a laser no couro e aplicados em várias peças de roupa, e também viraram belos braceletes, pingentes de colares e brincos. Moedas com elementos místicos vazados também foram feitas especialmente para a coleção e aplicadas em mangas de blusas e barras de saias, dando um movimento às peças.

RONALDO

Com a inspiração também no amor, porém com uma abordagem diferente, Ronaldo Fraga traz uma coleção em seda e algodão repleta de bordados. As delícias, mais do que as dores do amor, são o foco da coleção do estilista. Nas roupas, a seda aparece em tudo, tricotada, misturada ao algodão ou numa versão mais rústica. A estamparia é dada por imagens realistas e surreais do coração mesclado a partituras musicais, textos de cartas de amor e flores de bananeira. A modelagem das peças parece mostrar, claramente, uma coleção masculina e outra feminina, com a das mulheres composta de calças e vestidos retos, com pouco volume, delineando levemente o corpo, e de calças, camisas, paletós e vestidos usados pelos homens. Já na abertura da apresentação, porém, Ronaldo revela que sua ideia é transpor o conceito de roupa com gênero, mesmo que ela pareça mais feminina ou masculina, e que ambos os sexos possam usá-la, tanto que aconteceram trocas de roupas entre os modelos e as modelos em plena passarela.

O desfile de Ronaldo Fraga é tão cheio de detalhes que se completam em um todo tão belo que merece até um post inteiro apenas sobre ele. Que vamos fazer no final da temporada, fiquem ligados.

E assim nessa magia toda que acabou o segundo dia de SPFW. Mais ainda tem muito pela frente, acompanhem a cobertura em tempo real no nosso snapchat e instagram explosivebox. 

All for now. Carolina Andrade

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Sobre o Autor

Carol, 20 anos, paulista. Sabe aquela frase: “Os olhos são as janelas da alma.” Quem disse provavelmente não conheci a moda. Pois pra mim não existe maneira melhor de dizer que e como você é através do seu modo de vestir. E é por isso que decidi cursar Negócios da Moda e estou amando.

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