Eddie Redmayne revive a primeira mulher transexual da história: bravo!

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É filme. Mas não somente. Foi e é vida também. Vivida, respirada e sentida em história, traduzida nas mesmas dores e delícias que contam os nossos contos, as nossas andanças.

“We’re gonna call you… Lili!”

Einar Wegener, um dia, sonhou feito Lili Elbe. Trocou os ternos e gravatas em favor dos vestidos e meias-calças. O creme de barbear, pelos batons e perucas. A maleta, pelo leque. A curiosidade, o ímpeto e o desejo, pela coragem. Dizem que nasceu “intersexual”, com características sexuais orgânicas ambíguas, fato que – segundo a ciência biológica – confunde a identificação de um sujeito, nesse âmbito, como categoricamente “feminino” ou “masculino”. Decidiu-se, então, na Dinamarca de 1882, que seria um bom e velho rapaz. E eis que foi: Einar Mogens Wegener fora registrado e criado como mandava o discurso de homem da época, tornando-se um renomado pintor especializado em paisagens e pinturas parisienses. Casou-se, sim. Casou-se com a espirituosa Gerda Gottlieb, paixão à primeira vista pelos arredores da Escola de Arte de Copenhague, conquistando a anulação da papelada desse casamento quando, corajosamente, no início do século XX, metamorfoseou-se no que afirmou sempre ter sido…

“This is not my body, I have to let it go…”

1929. Einar Mogens Wegener é historicamente reconhecido como o primeiro dito homem submetido à cirurgia de mudança de sexo, sustentando o que, inquieta e intensamente, transbordava de sua alma feminina. Lili Elbe fez-se, portanto, assim, na primeira mulher transexual dessa mesma história, falecendo em 1931, consequência de complicações pós-operatórias, remanescendo um legado de contemporâneos questionamentos e de eternas (re)significações.

“You made me possible…”

Tom Hooper é o responsável pela vida atribuída a esse fruto cinematográfico – o título de vencedor do Oscar de Melhor Direção por “O Discurso do Rei” e “Os Miseráveis” honra, com certeza, essa audaciosa responsabilidade -. Eddie Redmayne – mais um Oscar por favor! -, hoje, mais conhecido, talvez, pela inesquecível e comovente interpretação do físico Stephen Hawkings em “A Teoria de Tudo”, é a sensibilidade dessa arte, assumindo o ar obstinado e introspectivo que vestem seus olhos, ambíguos em ternura, força e fé. “A Garota Dinamarquesa”, baseado nas lutas e nos dramas da verídica protagonista e, consequentemente, no livro de David Ebershoff,  deve estrear em terras brasileiras no mês de Fevereiro de 2016, possuindo destaque no Festival de Veneza.

Talvez, nunca tenham sido tão significativamente discutidas – e que assim seja! – as questões e as distinções entre sexo biológico, identidade de gênero e orientação sexual, (re)nascendo o longa no perfeito, importante e infalível timing desse sensível e afortunado momento.

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Sobre o Autor

Filha dos anos 90, estudante e amante de Psicologia, sangue e calor paraibanos. Socorro-me da alma pra (sobre)viver. Por isso escrevo. Por isso meus tantos eus e cás comigo...

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