Box E-Music – Eli Iwasa

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Após a super estreia da coluna com Abraham, prosseguimos a bateria de posts com uma das musas da house, Eli Iwasa. Tive o prazer de conversar um pouquinho com ela e tentei explorar o máximo sobre suas influências e pensamentos sobre a cena aqui no Brasil. Afinal, não é sempre que podemos conversar com pessoas técnicas e influentes como a japinha talentosa.

Eli tem uma carreira consolidada – 15 anos de carreira é para poucos – no Brasil, mas expandida ao mundo. A mesma já passou pelos clubs mais renomados do Brasil e por onde passa, arrasta centenas de pessoas ao redor do stage. Eu, particularmente, já vi ela fazendo um gig pessoalmente e das dezenas que eu presenciei, o dela foi o mais marcante. Ela não brinca em serviço e coloca toda sua bagagem, seu talento e seu amor pela música naquele momento, naquele gig. Com um sorriso tímido e uma dança discreta, Eli encanta à todos. Enfim, a entrevista está maravilhosa e fala por si só, então, dê play no fav set e leia a entrevista com Eli Iwasa:

Como você define seu estilo?
Toco house e techno, explorando sonoridades bem diversas dentro de cada estilo.

Você já tem uma bagagem considerável, porém é necessário se reciclar diariamente. Quais suas fontes de inspiração?
Eu acho que ter um club e produzir festas, depois de tantos anos, me permitiu manter a cabeça aberta à novas tendências, e principalmente em contato com um público que se renova o tempo inteiro. Detestaria me acomodar à posição de “dinossauro” da cena; eu me sinto inspirada o tempo todo por novos artistas e músicas lançadas todos os dias, que quero compartilhar com as pessoas. Quando parar de sentir isso, sei que será hora de parar.

Você se sente mais influenciada por algum estilo musical ou por DJs?
Minha história começou no rock – post punk, industrial, synthpop, new wave, rock clássico – era rata de shows, e colecionava discos desde adolescente. Minha ligação com música nunca foi como da maioria das pessoas, sempre foi apaixonada, quase obsessiva. Passava o dia todo na Galeria do Rock garimpando raridades, piratas, edições especiais.  Minha maior influência direta como DJ foi o DJ Mau Mau – convivemos durante 7 anos quando cuidava do Technova, e ele  sempre deu uma aula do que é ser DJ – com bom gosto, técnica, feeling sim, mas acima de tudo, humilde e apaixonado pelo o que faz. Quando comecei , ser DJ não era o que é hoje, com muito mais dinheiro e exposição envolvidos. Ser DJ era só para quem amava muito, para quem gosta de contar histórias através da música, que sabe conduzir uma pista por 8, 9 horas. Estes são os DJs que me inspiraram – como Laurent Garnier, Richie Hawtin, Villabobos.

Qual seu club preferido?
No Brasil, o Warung, D-Edge e o meu (Club 88)! J No exterior, o Panorama Bar e Fabric.

Você já pensou em parar?
Nunca! Eu penso como será quando eu resolver ter filhos, mas se eu puder, quero ser DJ por muitos e muitos anos. Fico feliz quando vejo DJs com mais de 40, 50 anos na ativa e trabalhando mais do que nunca, pq o paradigma do tempo de carreira de um DJ mudou bastante.

Alguns DJs dizem “o mundo é minha casa”. É isso que você quer para você? Se imagina rodando o mundo sem um espaço para chamar de seu?
Rodar o mundo é um privilégio e uma conquista, e é maravilhoso viajar levando seu trabalho por todos os cantos do planeta. No meu caso, preciso ter uma base, um lugar para chamar de lar; sou muito ligada a minha família e meus amigos, e a sensação de chegar em casa é deliciosa. Amo viajar, e sou muito sortuda de conhecer tantos lugares através do meu trabalho, mas adoro a sensação de finalmente chegar em casa depois das gigs.

Imagine a situação comigo: você tem a oportunidade de falar para o Mundo sobre a importância da música eletrônica na cultura musical. O que você diria?
Acho que poucos estilos são tão democráticos quanto a música eletrônica. Ela permitiu que muita gente começasse a fazer música, sem ser um exímio musicista.  Eu era uma guitarrista medíocre, e pensava que nunca chegaria a viver de música, e a música eletrônica me permitiu viver este sonho. Com o advento de softwares como o Ableton Live, isso ficou ainda mais amplo, porque mesmo quem não tivesse condições de montar um estúdio com hardware – caríssimos até hoje – pode colocar suas idéias (e seu talento!) em prática com os programas.

A música eletrônica mudou o universo da música pop – é só olhar para as paradas – e também se vê intimamente ligada a outros gêneros como hip hop, além de ter mudado muito o jeito de produzir música, agregando novas tecnologias a estilos mais tradicionais como o rock e country. Acredito que a maior contribuição da música eletrônica para o mundo sempre vai ser esta natureza questionadora, o olhar e pensamento para o futuro, evoluindo, mudando, se transformando, e acabando por transformar o mercado  como um todo.

A track que eu sempre toco para resgatar a pista de dança é…  faz tempo que não tenho um momento Moisés hahahaha! Mas uma que sempre explode, é atemporal, e funciona em qualquer tipo de festa, é a Suddenly Funk do Renato Cohen.

A melhor parte de ser um DJ é… a troca de energia com as pessoas, e receber tanto carinho. Quando você sente que conectou com a pista, e estão todos ligados na música… não tem sensação melhor!

A pior parte de ser um DJ é… ficar preso no aeroporto por 10, 12 horas por algum voo cancelado, com você exausto, sem dormir da noite anterior. Tem um DJ conhecido meu que fala que nosso cachê é para suportar esses perrengues de viagem, porque tocar…. tocar é só diversão.

Sonho em fazer um B2B com…  dividi a cabine com tanta gente que admiro… não sonho com isso, mas acho q seria demais fazer um b2b com o Thom Yorke do Radiohead, que de vez em quando se arrisca nos decks.

welovedeep

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Sobre o Autor

CEO do Explosive Box e Publicitário, louco por qualquer tipo de arte que me encante. Também sou editor-chefe das colunas de Moda e Música.

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