Box Entrevista – Gustavo Bertoni nos contou sobre o trabalho solo, “The Pilgrim”

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Heyy! Gustavo, para quem não sabe, é vocalista de uma das bandas brasileiras favoritas do EB, a Scalene. Faz um tempinho que fizemos uma entrevista super legal com a banda, com direito a cover exclusivo para o EB. Recentemente, eles foram anunciados como uma das atrações principais do Lollapalooza Brasil e também tocarão no festival SXSW no Texas. O máximo, né?

Gustavo resolver expandir seus horizontes e lançar seu primeiro álbum solo, intitulado de “The Pilgrim“. O mesmo sempre se dedicou ao seu lado pessoal, musicalmente falando, mas com prioridade na Scalene. O The Pilgrim surgiu de acúmulo de músicas feitas ao longo de sua vida (desde os 9 anos, gente! Detalhe: a primeira composição foi em inglês, tá?). O álbum marca a transição da adolescência para a vida adulta. Enfim, saiba mais sobre esse álbum INCRÍVEL na entrevista que fizemos.

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Qual a diferença entre o Gustavo do “The Pilgrim” e o Gustavo da Scalene?
Vejo meu projeto solo como algo mais intimista, exploro um lado introspectivo e mais ligado em percepções pessoais e das relações. Esse projeto é bem auto analítico e não tem muito a ambição de inovar. Ele é mais simples, apegado à fórmulas clássicas de songwriting, tanto sonoramente quanto liricamente. O Gustavo do Scalene já é mais audacioso e só uma das quatro peças. Por mais que seja o compositor principal, todo mundo é bem envolvido e tem uma voz singular. Tomás escreve várias das letras, com contribuição efetiva do Lucão e Makako. Já penso um pouco como eles, componho dentro de um vocabulário e linguagem que sei que também gostam. Sinto que como front man (vocalista) e convivendo intensamente com eles, fui aprendendo a incorporar a garra e o senso de justiça do Tomás, a loucura comedida do Lucão, a espontaneidade e altruísmo do Makako. Scalene é nossa vida e nosso trabalho. Meu projeto solo é uma faceta minha. Acho que nossa banda têm uma função de propor coisas para o rock nacional. Inovar. Também temos nossos momentos intimistas mas as músicas lidam com temas mais universais, estamos ligados nos tempos atuais, e no que expressa nosso ponto de vista como banda.


Você se arrepende de alguma música devido a maturidade que criou? Tanto pessoal quanto profissional.
Bom, arrependimento talvez seja uma palavra muito forte. Já existem algumas músicas que não gosto mais de ouvir ou tocar. Mas sempre escrevemos nossas músicas com muita verdade e elas representam o momento em que estávamos. Algumas dessas músicas que já não gosto muito tem um significado forte para alguns que nos acompanham e valorizamos isso, tocando uma ou outra nos shows.  Então por mais que algumas músicas antigas sejam distantes do que produzimos hoje, sei que elas fazem parte da construção do nosso aprendizado e busca de identidade musical. Quando a banda começou, tinha 16 anos. Quando a banda começa nova assim, a mudança drástica entre os primeiros álbuns é natural. “Prefácio” e “Nunca Apague a Luz” são exemplos.


 

Quanto tempo você precisou para criar o álbum solo?
Fui basicamente acumulando músicas até o ponto de ficar agoniado de não gravá-las. Nos últimos 4/5 anos de composição, umas 30 músicas. Inicialmente, eu encarava essas canções como um processo de aprendizado e um som pra fazer companhia a mim mesmo. Compor só no formato voz-violão te limita de forma libertadora…se isso fizer sentido. Quando coloquei na cabeça que ia gravar esse CD, compus mais umas três já pensando no que o CD precisava e acho que estão entre as melhores! Haha. Entre a decisão, gravação e finalização foram 5 meses. Tive que fazer isso entre todos os compromissos do Scalene e faculdade, foi bem puxado.


 

Parte da renda das vendas será destinada a uma ONG. O que te fez chegar a esse consenso?
Envolver-se com projetos sociais, ajudar o próximo é essencial pra formação de nosso caráter e visão de mundo. Há um tempo queria me envolver mas não ia atrás ou não tinha algo que me fizesse escolher uma certa instituição. Até que a mãe de um amigo me convidou pra ir na Vida Positiva, que eles ajudam há anos. Assim conheci mais de perto a história de cada um, e achei o trabalho que a Vicky faz muito bom, vi quão verdadeiro e familiar é o ambiente que criaram para os que lá vivem. Lá também aprendi que a as estatísticas mostram que a doença está crescendo cada vez mais no Brasil, mesmo com acesso a informação e vários projetos para conter o vírus e educar os jovens. Mesmo com os avanços no tratamento, a doença gera outros problemas de saúde e afeta muito a qualidade de vida. Optei por liberar o CD no iTunes e serviços de streaming antes de colocar no YouTube de graça. Motivando a galera a ajudar. Estou planejando como serão minhas próximas ações envolvendo isso.


 

Você fez a parte vocal e o mais complicado (na minha opinião) toda a instrumental! Foi um desafio muito grande?
Gravar a bateria foi desafiador. Não planejava gravá-la, mas na pré-produção das músicas, quando estava fazendo as demos, fui pegando o jeito. As levadas são simples e eu não tinha tempo pra ensaiar com um batera. Fora isso, estou acostumado a tocar e gravar (usar) os outros instrumentos. É um exercício importante pra todo músico sair da sua zona de conforto.


 

Quais são suas metas? O que queres passar para quem escuta?
Cara, com esse projeto, só quero compartilhar minhas músicas que são parte crucial da minha vida. A música é uma arte de alcance imensurável, as sensações que geram em cada um são personalíssimas. Espero que as pessoas possam se identificar com elas, e encontrar diferentes sentidos como os que experimentei ao compô-las. Espero que curtam ouvir no ônibus/carro voltando do trabalho, em viagens, momentos introspectivos, tomando um café num dia de chuva, antes de dormir…e terem nelas companhia pra diversos sentimentos e momentos. Se for um afago, conforto, força, energia, sei lá…melhor ainda.


Você se apresentará no Lollapalooza Brasil deste ano com a Scalene. Terá música solo cantada juntamente com sua banda?
Não é o caso, a não ser quando tocarmos no SWSX, EUA em Março, até faria algum sentido. É preferível distinguir bem um trabalho do outro. Cada um tem um perfil e um sentido.


“The Road” já é minha música preferida. Qual é a música que você acha que será o grande single?
Ela é o single mesmo, hahaha. Como não planejo fazer clipes ou lançamentos grandiosos, ela foi a primeira a ser lançada, então é a “música de trabalho”, como chamam. Gosto dela e como ela cresce gradativamente. Mas a escolhi pois o tema é um bom resumo do que falo no CD.


Você tem algum bloqueio com algum estilo musical?
Em geral, não. Jamais pararia pra escutar funk ou sertanejo universitário! Até em festa não entro muito na onda, haja álcool pra isso. Não só pela música em si, mas pelas letras. Generalizando, esses estilos falam sobre coisas que não adicionam nada de valor a vida de ninguém. Com axé também não me identifico. Tirando isso, gosto e me interesso em escutar de tudo. Gosto de piano minimalista pra trabalhar. Jazz e MPB pra ficar com a família. Tenho nada contra pagode e samba tem coisas bem interessantes. O Pop bem feito e verdadeiro também me agrada. Mas o que mais escuto é rock, folk e trilhas.


Quando o álbum estará disponível para todos ouvirem oficialmente?
Álbum está disponível no iTunes, Spotify, Deezer e Rdio. Aliás, acabei de colocar no YouTube, com exceção das faixas bônus. 


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Sobre o Autor

CEO do Explosive Box e Publicitário, louco por qualquer tipo de arte que me encante. Também sou editor-chefe das colunas de Moda e Música.

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