OSCAR 2015: Os filmes indicados a melhor figurino

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Dia 22 de fevereiro acontece o maior prêmio do cinema e o red carpet mais esperado do ano, estou falando da 87ª cerimônia de entrega do Oscar. Mas enquanto aguardamos os looks glamourosos da noite, vejamos quem são os concorrentes da categoria Melhor Figurino. Categoria esta que chama atenção pelos diferentes estilos de concorrentes escolhidos pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, e principalmente, pelo requinte e riqueza em detalhes das criações. E é nesta hora que descobrimos algumas histórias sobre o guarda-roupa das personagens que se quer imaginamos ao assistir os filmes. Na lista dos indicados de 2015 não há grandes surpresas, nada além do que já imaginávamos garantidos como escolha da Academia.  Então eleja o seu favorito e torça para ele levar a estatueta!

O Grande Hotel Budapeste” (“The Grand Budapest Hotel”)

Se já estamos falando em favoritismo, vou apresentar o meu logo de primeira. O longa de Wes Anderson é inspirado em textos de Stefan Zweig e conta as aventuras do concierge de um famoso hotel europeu e de um certo mensageiro, fiéis amigos que vivem no período das duas Guerras Mundiais. Além da história e figurino brilhantes, eu amo o trabalho da Milena Canonero, figurinista responsável. A italiana já foi indicada nove vezes ao Oscar, vencendo três vezes com “Barry Lyndson” em 1975, “Carruagens de Fogo” em 1981 e “Maria Antonieta” em 2006. Desta vez, as marcas Fendi e Prada foram as protagonistas do figurino construído por Milena. Peças de pele para Madame D. (Tilda Swinton) e para o Inspetor Henckel (Edward Norton) foram criadas pela Fendi que é expert no assunto. Já a Prada fez um exclusivo conjunto de 21 malas e baús para Madame D., inspiradas nos modelos vintage da marca, com gavetas internas e compartimentos externos, moldura de madeira envolta em couro, revestimento de cetim e pintadas pelo artista Mieke Casal com as iniciais da personagem. Cada detalhe do figurino reflete o glamour ou a indumentária dos funcionários de um hotel dos anos 1920.

Vício Inerente (“Inherent Vice”)

O filme de Paul Thomas Anderson é baseado no livro homônimo de Thomas Pynchon e conta a história de um detetive particular que vaga por Los Angeles investigando o sequestro de um bilionário latifundiário, além do desaparecimento de sua ex-namorada. O responsável pelo figurino a lá  70’s (muitas roupas relax e conjuntinhos femininos) é Mark Bridges. Esta é a sua segunda indicação ao Oscar, que foi indicado pela primeira vez em 2012 por “O Artista” e levou a estatueta. Ele também assina o figurino de outro longa desta temporada: “Cinquenta Tons de Cinza”. Em “Vicio Inerente”, Mark fez um mix de peças de época e artigos novos, alguns com adaptações como os itens feitos com tecidos vintage. O macacão brilhante que uma recepcionista veste no filme, por exemplo, é um maiô Rudi Gernreich modificado. Outra curiosidade é que as as roupas foram lavadas várias vezes para ficarem com a aparência desgastada de que realmente foram usadas.

Caminhos da Floresta” (“Into the Woods”)

O musical, dirigido por Rob Marshall, une personagens de vários contos de fada que se encontram dentro da mata para ajudar um casal amaldiçoado pela bruxa, vivida por Meryl Streep. O figurino é de Colleen Atwood que está concorrendo a sua 11ª indicação. Ela já tem três estatuetas, conquistadas com “Chicago” de 2002, “Memórias de uma Gueixa” de 2005 e “Alice no País das Maravilhas” de 2010.  O figurino conta com um visual característico de contos de fada, mas Colleen se preocupou em manter a distinção entre algumas personagens, como o estilo Renascentista de Rapunzel e o do século 18 da Cinderela. A figurinista fez questão de se integrar ás equipes que trabalhavam em outras áreas do filme, em especial a da criação da floresta. Assim então, surgiu grande parte de sua inspiração, já que as roupas fazem alusão a este ambiente. O padeiro (James Corden) tem calças com texturas de madeira e sua esposa (Emily Blunt) usa um vestido verde criado com pequenos pedaços de tecido. Juntos o casal recria a textura de uma árvore coberta de musgo. Enquanto as roupas do príncipe encantado (Chris Pine) não remetem a elementos da natureza, já que ele passa a maior parte do tempo longe do cenário do titulo.

Malévola” (“Maleficent”)

Mais um conto de fadas para a lista de indicados.  Este, baseado no conto da Bela Adormecida, narra a história de amor entre a fada Maleficient (Angelina Jolie) e Stefan. Mas o desejo por poder dele, o leva a traí-la. Assim, Maleficient lança uma maldição contra a filha recém-nascida de Stefan, Aurora, e incita uma guerra.  O figurino é assinado por Anna B. Sheppard (indicada duas vezes, porem sem vitórias) e Jane Clive (primeira indicação).  As roupas correspondem a dois mundos diferentes, um com criaturas que vivem na floresta e outro com seres humanos.  As referências vão desde o estilo do século 15 até o período da Renascença na França e Itália. Além disso, o figurino ficou responsável por mostrar as mudanças de personalidade das personagens. Para a infância da Maleficient, foram usadas roupas fluidas e em tons de marrom e verde. Tudo bem natural. Quando ela cresce, e se torna uma mulher rancorosa, as roupas escurecem e ficam mais encorporadas. Uma curiosidade é que os chifres usados por Angelina eram magnéticos e o cabelo era recoberto por espécie de turbante com ímãs., facilitando a remoção dos chifres.  Já o Rei Stefan no começo do seu reinado usava tons frios como azul, cinza e prata, junto com o dourado. Após sua filha ser amaldiçoada, ele passa a usar apenas tons sóbrios, representando o medo. Quanto aos trajes de Aurora, são inspirados nos vestidos do final do período medieval e na personagem shakespeariana Ofélia. São vestidos recatados, com silhuetas retas, feitos com tecidos encorporados.

Sr. Turner” (“Mr. Turner”)

Por último, não menos importante porém talvez o menos favorito à levar a estatueta é a cinebiografia do pintor inglês impressionista J.M.W. Turner (Timothy Spall), que dedica sua vida ao trabalho, até que começa a romper com as convenções artísticas aceitas, causando desentendimento com seus colegas.  O figurino de época é de Jacqueline Durran, que já foi indicada outras três vezes e ganhou a estatueta por “Anna Karenina” em 2012.  Já que se trata de um período Romântico da Inglaterra, Jacqueline preocupou-se em mostrar  as pessoas como elas realmente se vestem. Os últimos 25 anos da vida de Turner foram retratados com roupas escuras que permitiram manter o foco nas suas pinturas sobre luz e cor, que eram controversas para a época.

Agora é só esperar pelo resultado e, claro, pelo post com os looks do red carpet!

Arrivederci, Beatriz Arvatti.

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Sobre o Autor

Não me lembro quando foi que o universo da Moda me conquistou, as vezes eu acho que eu já nasci amando tudo isso. Hoje sou estudante de moda, mas não me peçam para desenhar ou costurar, meu negócio é escrever! Filmes antigos, anéis, Audrey Hepburn, botas, 90’s, sinceridade, bolo quente, livros, batom e assaltar o guarda-roupa da vó.

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