Box Entrevista: Banda Scalene

0

Hey you! Bom, tive o prazer de conversar com um dos integrantes da banda Scalene, o Gustavo Bertoni, batemos um super papo e eu mal via a hora de compartilhar com vocês. A banda que nasceu em Brasília vem revolucionando, ou melhor, garimpando o rock brasileiro. A banda formada pelos amigos, Gustavo, Philipe, Tomas e Lucas está com um novo projeto já em andamento e confesso que me fez arrancar elogios -mesmo não sendo um adorador enlouquecido de rock, mas sei apreciar uma boa música- de quem escuta o som os moleques. Enfim, vem conosco conhecer a banda.

A típica pergunta é: Como surgiu a banda Scalene?

Somos amigos de infância. Sempre amamos música, crescemos juntos. Um dia pensei em gravar um cover e pedi ajuda pro Tomás (meu irmão), não conhecia estúdio nenhum ou como era o processo de gravação. Acabou que nem gravamos essa música e compomos uma própria. Gravamos ela e começamos a divulgar. De forma natural foi crescendo e se tornando a prioridade em nossas vidas. Fomos aprendendo tudo que se precisa ter pra realmente apresentar sua banda de forma profissional e como um produto de qualidade. Passamos a estudar música e correr atrás do que agora não é mais um sonho, e sim uma realidade.

Qual o principal foco da banda musicalmente?

Musicalmente nosso foco é fazer um som honesto e interessante. Algo que seja novo, mas sem tentar demais ser revolucionário. Até temos o gosto parecido, então há bandas que nos inspiram e ajudam a moldar nosso som. Mas ao mesmo tempo cada integrante tem um gosto bem especifico e é a facilidade que temos de compor como um grupo que torna nosso som único. É rock, não tentaria especificar. Exploramos várias vertentes do mesmo, sempre com uma pitada de experimentalismo e sem abrir mão do peso.

Sentem um bloqueio cultural brasileiro para que o rock tenha maior espaço no Brasil?

Rock nunca será um gênero musical com um espaço imenso no nosso país. É claro que já esteve muito melhor, mas ninguém sabe exatamente o porque dele estar tão fraco. Pode realmente ser cíclico e rock ficou de fora, daqui a pouco o sertanejo universitário e arrocha “saem de moda”… Ou será que a culpa é das bandas pop-rock com nada-ou-quase nada de rock que “queimaram nosso filme”? Das gravadoras que investiram milhões em cópias fajutas de bandas americanas com letras vazias? Ou simplesmente não há bandas de rock dessa geração fazendo um som interessante que acompanhe um trabalho competente que represente a juventude? O público que gosta de rock é exigente. Não engole qualquer coisa, não é música de gente que não gosta de pensar. Mexe com muito mais do que vontade de dançar ou beber. Havendo dedicação, empreendedorismo, atitude e boas letras o rock sempre terá seu espaço. Não é gravando de qualquer jeito e colocando música no soundcloud que o rock vai ressurgir das cinzas. Músico hoje em dia tem que ser publicitário, empresário, manager, booker, sem esquecer de ser…músico.

As letras das músicas da banda não são aquela encheção de “yeah yeah”, “la la la” e sim com muita letra e mensagens. Quem compõe as músicas?

Todos integrantes participam do processo de composição mas cada canção nasce de um jeito. Normalmente eu levo ideias ou partes de músicas pro estúdio e mostro pro moleques, pode ser só uma intro ou a música quase inteira, concebemos ela juntos. As letras funcionam da mesma forma, mas normalmente é o Tomás quem mais contribui nesse quesito.

Como é o processo de criação de um videoclipe?

Todos nossos clipes foram feitos com a Pexera. Esse último de “Danse Macabre” contou também com a produção da My Name is Films. Normalmente apresentamos a ideia da estética e o roteiro “por alto”. Nos reunimos pra definir e alinhar as ideias e locações. Eles nos mandam o screenplay e imagens de referência e vamos aprovando/moldando até que todo mundo esteja satisfeito.

Acreditam que o clipe pode ser mais importante que a própria música?

O clipe é importantíssimo como material visual pra divulgação, mas não diria MAIS importante que a própria musica. No caso de um clipe eles trabalham juntos, eles tem que ter a mesma “grandeza” pra evitar que um deles fique esmaecido. Não deve haver segundo plano, eles devem se complementar.

Trabalhar com amigos é uma tarefa fácil? Com vocês funciona o ditado “Amigos, amigos, negócios à parte”?

O fato de sermos amigos há tanto tempo e nos conhecermos tão bem nos da a possibilidade de tomar um caminho difícil porém extremamente saudável e eficiente: honestidade. A gente tem a abertura pra brigar e discutir sem guardar ressentimento, falar a real e lidar com ela como um grupo. Isso corta o eufemismo desnecessário e a enrolação – acelera o processo de decisão e criação da banda.

Você faz rock, canta rock, respira rock. Mas o estilo musical do Gustavo Bertoni, é rock ou aberto a demais estilos musicais? Se sim, quais?

Sem dúvida sou aberto a outros vários estilos. Tenho fases de nem ouvir rock, mas sempre acabo voltando pra ele. Não diria que ouço de TUDO mas constantemente busco conhecer novos artistas de vários estilos e buscar inspiração onde outros não buscam. Eu sou apaixonado por música folk, desde moleque. Ouço muito City and Colour, Matt Corby, James Vincent McMorrow e clássicos como John Denver. Gosto muito de escutar trilha sonora de filmes, nada mais rico. Cresci ouvindo The Beatles e Metallica, é difícil abrir mão de tudo que aprendi com eles…e nem quero. Já tive mais paciência pra ficar pelo menos “por dentro” do que toca nas rádios, perdi interesse. Enfim, não sinto a necessidade de definir o meu estilo, nem do Scalene.

Qual as maiores inspirações da Scalene no cenário musical mundial?

Thrice, Alexisonfire, O’Brother, Radiohead, Queens of the Stone Age e Metallica. Cada integrante tem suas bandas preferidas, mas essas inspiram a banda toda.

Pretende um dia seguir carreira solo, ou até mesmo intercalar com a da banda?

Com certeza. Scalene vai sempre ser minha prioridade, mas quero gravar um CD solo assim que der (assim que eu tomar vergonha na cara e me organizar). To sempre compondo e estou com muitas músicas acumuladas e preciso desovar elas pra ter mais espaço no HD, até pra compor pro Scalene de novo quando precisar. Espero conseguir escolher 10 ou 12 das 20 e poucas que separei pro CD solo até o final do ano e entrar em estúdio. Acho que em 2014 sai! Coloquei umas musicas acústicas super mal gravadas no YouTube e galera gostou e começou a pedir mais. Tem umas fãs que COBRAM mesmo, é engraçado. Então seria legal pra essas pessoas que já estão na espera eu lançar o mais rápido possível.

Um assunto que virou polêmica foi o Rock in Rio em 2011, no Rio de Janeiro. O nome leva a palavra “Rock” e teve 60% das suas atrações POPs. O que tens a dizer sobre o evento?

Podiam haver menos atrações Pop, sem dúvida. Alguns artistas do gênero levam uma banda extremamente competente e o show até tem características do Rock, mas Claudia Leite já é demais, né? Acho que um dia dedicado a Pop já seria o suficiente e não me incomodaria, mas acabam tendo artistas Pop misturados ali em “dias roqueiros”. Desde que não vire bagunça e a Katy Perry abra pro Metallica, não vou  ficar reclamando no Twitter.

O que podemos esperar da banda para esse resto de 2013?

Vamos lançar oficialmente o CD novo “Real/Surreal” dia 12/08 agora, a pré-venda da versão deluxe deu muito certo, estamos animados. Podem esperar muitos shows e provavelmente mais um clipe! Estamos com a agenda bem agitada – Cuiabá, Belém, RJ, São Paulo, Taguatinga, Brasília…divulgamos tudo na nossa página do facebook e twitter.


Os caras merecem todo o sucesso do mundo! A qualidade do som deles não pode ficar numa área restrita do Brasil, e sim contaminar o país inteiro, consequentemente contagiando bandas existentes e futuras bandas a prezar o bom som, seja no rock, no pop ou na MPB. Bom som, qualidade impecável e talento são três coisas que eu e o blog prezamos, por isso resolvemos compartilhar a banda Scalene com vocês!

Assista outros vídeos no canal da banda no YouTube, curta a banda no Facebook e siga no Twitter.

Compartilhe.

Sobre o Autor

CEO do Explosive Box e Publicitário, louco por qualquer tipo de arte que me encante. Também sou editor-chefe das colunas de Moda e Música.

Leave A Reply