Crítica: João e Maria – Caçadores de Bruxas

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Crítica com spoiler do filme!

João e Maria – Caçadores de Bruxas, versão gore da fábula clássica dos irmãos Grimm, não tem mais nem menos banho de sangue do que muitos filmes de baixo orçamento ou produções direto para DVD voltadas para o mercado de terror. Para uma produção de grande estúdio que pega carona na moda dos contos de fada, porém, a sangueira até que é bem inesperada.

Não convém aqui discutir se foi uma boa estratégia ou se a violência cartunesca misturada com fábula infantil vai cair num vácuo demográfico. A questão é que a surpresa de ver astros como Jeremy Renner Gemma Arterton besuntados de sangue falso é a única atração deste filme – que, de resto, é um grande equívoco de concepção e execução.

Na comparação, João e Maria – Caçadores de Bruxas fazAbraham Lincoln – Caçador de Vampiros parecer muito sofisticado. O parentesco mais próximo é com Van Helsing, não só porque as armas e os figurinos parecem reaproveitados do filme de 2004, mas principalmente porque ambos tentam contar uma história medieval com uma linguagem pop e terminam num indeciso meio termo, descaracterizando tudo.

Van Helsing pelo menos não tinha a intenção – que hoje Hollywood trata como obrigação – de estabelecer uma nova franquia de ação. Desde o início João e Maria – Caçadores de Bruxas é apresentado e martelado como um produto que vieram nos oferecer na nossa porta, que o vendedor diz ser irrecusável mas não se presta a explicar pra que serve ou como funciona.

Quinze anos depois de sobreviverem à casa de doces, João/Hansel (Jeremy Renner) e Maria/Gretel (Gemma Arterton) ganham a vida como matadores de aluguel, indo de vila em vila atrás das tais bruxas. Produtos que são, seus diferenciais são a inovação e o ineditismo (ninguém da vila ouviu falar de João e Maria, embora o lugar seja perto de onde os irmãos cresceram e nos créditos iniciais a notícia dos dois tenha se espalhado).

Além da inovação e do ineditismo, todo produto de franquia implica uma legião pronta de fãs. Então depois que a fama e o talento de João e Maria são repetidos pela décima vez em meia hora de filme, surge um fanboy adolescente medieval pra afirmar tudo de novo e emendar: “I’m a fan of your work!”. Depois disso, dá até pra se divertir com algumas coisas que acontecem no clímax se você aguentar até o fim do filme.

Talvez um dia João e Maria – Caçadores de Bruxas seja visto como uma transgressora obra de arte que implode a lógica das franquias hollywoodianas ao revelar parodicamente suas entranhas, uma bomba de metalinguagem que deixa estilhaços e vísceras por todos os lados. Até lá, é só um filme com a ilusão de que pode imitar Os Vingadores, o modelo de franquia hoje, como se ninguém fosse perceber.

(Fonte Amo Cinema e Omelete, com adaptações do Explosive Box)

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Sobre o Autor

CEO do Explosive Box e Publicitário, louco por qualquer tipo de arte que me encante. Também sou editor-chefe das colunas de Moda e Música.

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